Ratos, saruês… Um post animal!

Leave a comment

January 13, 2013 by rodox13

Durante grande parte da minha vida ouvi de meu pai inúmeras histórias de animais. Pacas, gambás, jacus, capivaras, onças, saruês, gatos, frangos… Inúmeros animais. No melhor estilo Lobatiano de ser, as histórias do meu pai soavam literalmente como “As caçadas de Pedrinho”.
Lembro, e sempre que posso conto, de histórias de caçarolas e ragus feitos no bar e a cara de espanto das pessoas quando, ao final da degustação e com o estomago abarrotado, descobriam que tinham comido, literalmente, gato por lebre… Mas a história de hoje, e que nos perdoe os defensores dos animais, vou falar de dois animaizinhos que passaram dessa para uma melhor!!

BIM – A RATAZANA

Como todos devem saber, num bar – especialmente naqueles pé-sujos – a quantidade de sobras e restos de comida é relevante. Porções que deixam no prato, restos e cascas de frios, amendoins que caem no chão, enfim, a sobra é realmente grande. E não precisamos de nenhum curso superior para sabermos que restos atraem animais. Roedores então sentem-se no paraíso num ambiente desse – Disney e Pixar não me deixam mentir.
Um desses pequenos roedores – ainda quando era um pequeno e ágil camundongo – percebeu como as coisas funcionavam e num esquema que mais parecia uma ceva passou a receber tudo o que sobrava num canto isolado do buteco. Depois de um tempo meu pai até nome já tinha dado para o roedor: Bim.
Durante muito tempo, muito tempo mesmo, o Bim dominou os restos e recebia diariamente cascas de mortadela, restos de queijo, pães velho e tudo o que fosse possível ser devorado por um animal. O tempo passou e aquele ratinho pequeno se tornou uma imensa e roliça ratazana. A relação de respeito entre os dois era religiosa. O Bim não entrava na cozinha (ao menos a olhos nus) e meu pai não o ameaçava nunca. Até que um dia esse respeito foi para o espaço.
Numa bela noite de verão, com o bar aberto e cheio de manguaças, O Bim quebra a barreira do respeito e na frente de todos invade a cozinha malemolente rebolando aquele imenso lombo – que o deixava muito mais com a aparência de um preá – na maior cara de pau. Era o triste fim de uma vida…
Em segundos e munido de sua espingarda de chumbinho meu pai deu cabo no rato que durante muito tempo foi literamente o mascote secreto do buteco e que naquela noite quis mais do que precisava para viver. Que Deus o tenha!

BEBADO COMO UM GAMBÁ

Após o infortúnio do Bim, um belo dia meu pai chega de manhã para trabalhar e da de cara com uma bagunça homérica ao lado da churrasqueira. Garrafas no chão, caixas reviradas, um salseiro! Não poderia ser um rato afinal a bagunça estava muito grande para um único rato. Toda via, meu pai arrumou algumas armadilhas, comprou veneno para rato e depois de um dia inteiro de trabalho la foi ele à masmorra montar as armadilhas e colocar veneno.
No dia seguinte, veneno no canto intocado, armadilhas inoperantes e novamente uma bagunça do cão. A assim foi por umas duas semanas. Até que um dia alguém vira para o meu pai e pergunta: “Será que não é um saruê?”… Para os que não sabem, saruê é um roedor, do tamanho de um cachorrinho de madame, primo próximo do gambá que além de invadir espaços e bagunçar tudo é uma iguaria muito cobiçada entre o povo do sertão nordestino. A resposta inevitável para a pergunta foi: “Como capturar um saruê?”…
Sendo um primo muito próximo do gambá, o saruê tem hábitos muito parecidos com o gambá e digamos assim um tanto quanto estranhos…
Sabe aquele ditado, bêbado como um gambá? É amigo… O que seria de nós pobres mortais sem os tradicionais provérbios populares. Bom, seguindo, meu pai pega um prato fundo, enche até quase transbordar com a pinga mais vagabunda e coloca no meio da masmorra.
No dia seguinte ele abriu o bar, deu uma ajeitada como de costume, chamou o cara que tinha falado do saruê e foram abrir a masmorra. Para a surpresa dos dois não é que a pinga funciona mesmo e que o ditado é mais que verdadeiro? Ao abrir a porta os dois se entre olham e começam a dar risada. Deitado ao lado prato vazio um imenso saruê estava desmaiado de tão bêbado que se encontrava. Meu pai era só alegria afinal tinha eliminado o visitante indesejado e o seu amigo… Ah, o seu amigo era só alegria porque em algumas horas teria um genuíno e delicioso banquete para se lembrar de sua infância!

About these ads

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 51 other followers

%d bloggers like this: